De Leve

Manoel Afonso


Delação Premiada também no MS?

Publicado em : 25/9/2017



DELAÇÃO  Lembra o verbo delatar, que no fundo é o mesmo que caguetar, uma palavra pouco usada por não soar bem aos nossos ouvidos. Também tem tudo a ver com o termo dedurar, que por sua vez lembra o personagem ‘dedo duro’, um sacana traidor com recaída moral para salvar a própria pele. Não deve ser tratado como herói.

 

‘PREMIADA’  Esse tipo de delação, pelo que percebo  nos círculos políticos , só é verdadeira quando efetivamente ferra os adversários.  Ela  divide opiniões, mas reforça a tese de que no Brasil o crime realmente compensa. Ao propor a devolução de certa quantia, é certo que o ‘arrependido’ desviou outra muito maior em nome de ’laranjas’.

 

A CONFERIR  Na análise dos escândalos conhecidos que envolvem empresários e políticos em Mato Grosso do Sul, observadores que frequentam o saguão da Assembleia Legislativa já especulam sobre os próximos capítulos -  inclusive com eventual delação premiada do empresário João Amorim. Teria  coragem? Seria nitroglicerina pura! Implodiria projetos e lideranças políticas.

 

JOÃO AMORIM Dentre tantos empresários envolvidos em escândalos é apenas mais um. Fruto da conveniência financeira em conluio com gestores públicos . Discreto, avesso a luz da transparência que devia reinar nas relações com o poder público, lembra aquele personagem do castelo que só age nas trevas. Mas entre sangue e dinheiro Amorim prefere o último.

 

REFLEXÃO  Quantos anos de vida útil tenho pela frente? O patrimônio financeiro que amealhei já é  suficiente ou preciso de mais? Melhor uma vida modesta em liberdade ou do que a riqueza sem poder desfrutá-la atrás das grades? Claro  -  essas reflexões não são exclusivas de alguns delatores  na ‘Lava Jato’; são comuns a todos que respondem a ações na Justiça Federal principalmente.

 

PREOCUPA   Inquérito é a fase de coleta de provas que subsidiam o Ministério Público numa eventual denúncia. Já o Ministério Público também atua com esmero para convencer o Juiz a aceitar a denúncia. Essas fases representam bem a morosidade da justiça - se por um lado passam a impressão de que tudo acabará em pizza – no outro aumentam a angústia de quem é investigado.

 

ANGÚSTIA  Ela é pessoal, intransferível. Um termo que define bem o sentimento de quem é réu ou está sendo alvo de investigações. Por melhor que seja o seu advogado, ele não consegue passar a tranquilidade, a certeza de liberdade definitiva. Se uma simples contravenção é capaz de tirar o sono, imagine as denúncias pelos graves crimes que se tem notícia! Indescritível  é a angústia do ex-ministro Antonio Pallocci (PT).

 

MUDANÇA  O conceito ou cultura do ‘jeitinho brasileiro’  na justiça mudou após as prisões e condenações pesadas de empresários e políticos, como do ex-governador Sergio Cabral (PMDB) do Rio de Janeiro. As decisões tem dois efeitos nos réus: o impacto inicial e depois passam a ser um incentivo a delação – antes que seja tarde demais!


DESCULPAS  Elas se parecem  principalmente entre os acusados do PT e PMDB  em denúncias de corrupção. “Pura perseguição”,  imaginam-se suficientes  para convencer a população a ignorar os fatos contra os ‘probíssimos’ presidente Michel Temer (PMDB) e o ex-presidente Lula (PT).  Apenas ‘inverdades absolutas’, sucessão de coincidências?

 

EM CASA  Cansada do papel de ‘bobo da corte’, a classe média brasileira não quer ir às ruas para protestar contra tanta corrupção. Tudo porque trabalha 5 meses ao ano para pagar impostos e  sempre é chamada para pagar a conta salgada. Para alguns ela não está acovardada.  Simplesmente deixou de saber em quem acreditar. Certo?

 

ANIMAÇÃO Aluízio São José ( prefeito de Coxim), Ricardo Ayache (presidente da Cassems) e José Ancelmo dos Santos ( ex-conselheiro do TCE-MS) estarão em Brasília  como delegados na convenção nacional do PSB marcada para outubro próximo. Eles foram escolhidos por aclamação no último dia 16 em concorrido evento nesta capital.

 

RUMOS Para José Ancelmo a tendência é pela escolha do ex-deputado federal (RS)  Beto Albuquerque para a presidência nacional do partido – hoje nas mãos do deputado Carlos Siqueira, de Pernambuco. Aluízio São José vem percorrendo o interior para recompor as comissões provisórias com vistas as eleições de 2018.

 

CANDIDATURAS  Se Aluízio São José desponta como nova liderança  na região norte e com planos para disputar a Assembleia Legislativa, Ricardo Ayache segue no leme da Cassems, tida hoje como empresa modelo no setor. Ayache vem conseguindo manter-se até aqui como um bom exemplo de gestão. Decisão sobre candidatura dependerá de vários fatores e do cenário. Um equilibrista!

 

EM ALTA  Além de ser bem cotado para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado em 2018, ao deputado Jr. Mochi há uma outra opção interessante; caso o PSDB venha a compor com o PMDB, Mochi é visto como o personagem ideal para ocupar a vaga de candidato a vice governador ao lado de Reinaldo Azambuja. É o jogo que está sendo jogado.

 

BASTIDORES  É onde tudo acontece e todos negam. O ex-conselheiro Leite Schimidt continua o operador político discreto. Só aparece em ocasiões especiais. Mas ele estaria empenhadíssimo em atrair o PTB do ex-prefeito Nelson Trad e o PSB para formatação de um bloco reforçado no pleito de 2018.

 

REELEIÇÃO  Ao seu estilo moderado o governador Reinaldo Azambuja (PSDB)  esperou pelos apelos de companheiros interioranos para manifestar a disposição de concorrer ao segundo mandato. A posição de destaque do Estado no ranking de competividade  ( 5º lugar nacional)  é indiscutivelmente o fator que pesa muito.

 

DESTAQUE  Estamos atrás apenas de São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Distrito Federal em matéria de ambiente para desenvolvimento, onde foram levados em conta 66 indicadores referenciais. Vale destacar o avanço na taxa de crescimento do nosso PIB , o segundo melhor colocado do país. Números otimistas que merecem ser divulgados.

 

EXEMPLO  A iniciativa da Câmara Municipal da capital precisa ser olhada  pelas câmaras municipais do interior. Criar políticas públicas para a população idosa é enfrentar o problema de frente . As cidades envelheceram sem se preparar. Na capital temos mais de 100 mil  idosos.  Lembro: temos muito que aprender com os japoneses que cuidam bem de suas crianças e velhos.

 

‘BELEZA’  Que tal se os políticos tivessem igual sensibilidade para resolver graves questões que nos afligem - como tem para garimpar dinheiro para o Fundo Partidário?  O cidadão que paga impostos, sentem-se como aquele personagem de rosto pintado e  bola vermelha no nariz. Depois reclamam do desempenho do deputado Jair Bolsonaro (PSC) na corrida presidencial.

 

SEM VOLTA!  Alguns políticos até que tentaram – sem sucesso - fazer o meio de campo para que o prefeito Marcos Trad (PSD) reatasse as relações políticas com o ex-governador André Puccinelli (PMDB). Os argumentos do prefeito são irremovíveis  e ele não esconde a satisfação na parceria com o governador Reinaldo.

 

“Patrão de esquerda só é bom até o dia do pagamento”. ( Otto Lara Resende) 

De leve - Reinaldo, um governador pragmático

Publicado em : 13/10/2015



Esqueçam aqueles velhos tempos de Fernando Correia da Costa, Wilson Barbosa Martins e outros que se alinharam partidariamente para governar. Naquela época contava muito a ‘folha corrida’ do companheiro para ser nomeado a cargos de primeiro  ao último escalão. Até a faxineira do colégio tinha que demonstrar fidelidade e tradição ao partido governante.  

 

Mas após a volta da democracia   e com a facilidade para se criar novas siglas, os governantes passaram a ser mais flexíveis na escolha de seus auxiliares. Evidente que levam em conta o aspecto partidário, mas sem desprezar a competência e os  nomes de outros partidos coligados nas eleições.
 
O exemplo que vem ocorrendo no Mato Grosso do Sul é bem isso. Reinaldo – que havia participado da coligação que apoiou Bernal para prefeito, elegeu-se sem esconder sua convicção tucana. Sua determinação em prol de Aécio, criticando duramente o PT e seus candidatos locais, foi uma prova viva de que não visava apenas a própria eleição ao Parque dos Poderes. Foi coerente, queria Aécio no Planalto. 
 
Como governador, foi grato aos fieis companheiros de primeira hora. Eles foram aquinhoados com cargos importantes na maquina administrativa. Mas isso não era tudo. Não  bastava. Era preciso viabilizar o governo politicamente na Assembleia Legislativa.
 
Aí entrou em cena o pragmatismo e o bom senso do governador. Costurou composição onde se contentou em premiar José Teixeira ao cargo de Secretário e abraçando a candidatura de Jr. Mochi a presidência. A fórmula deu certo pela franqueza e transparência do governo junto ao Legislativo. 
 
Mas em 2016 teremos eleições. Ao seu estilo, Reinaldo vem se aproximando de  lideranças que não o apoiaram, construindo uma base forte que eleja prefeitos de cidades importantes. As adesões recentes de Ruiter (Corumbá) e Hashioka ( Nova Andradina) mostram isso.  Além disso, não esconde suas relações cordiais com Marquinhos Trad e Nelson Trad  pensando na sucessão da capital. 
 
Aí, com a mesma naturalidade que admite as dificuldades financeiras do Estado, Reinaldo não descarta as alternativas  para vencer o PMDB e PT, admitindo alianças praticas que favoreçam seu projeto político e de governo. 
 
Pode até não estar certo, mas poderá vencer por eventuais equívocos dos adversários.
 
 
Afinal, na política conta muito o fator sorte, que Reinaldo tem!
 
 
 
 
De leve. 



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Sobre o autor


Manoel Afonso
O advogado Manoel Afonso é reconhecidamente, um dos principais colunistas políticos do Estado de Mato Grosso do Sul. Também é comentarista do Jornal da Rede Record-MS.