Meus Rascunhos

Georgina Caldeira


“O Lençol”

Publicado em : 22/5/2018



 Aos poucos estou chegando à conclusão que sou uma pessoa tradicional, pois percebo que meus gostos e preferências são considerados por muitos como: “contemporâneos”, “ultrapassados” ou “não se usam mais”. São detalhes que no nosso dia a dia fazem muita diferença, e também, traduzem o tipo de pessoa que somos e o perfil que escolhemos ser.

 

Em uma das nossas viagens curtas que meu companheiro e eu costumamos fazer, já instalados no hotel simples e confortável, verificamos na hora de deitarmos que a cama só tinha um lençol, o “de baixo” como sempre me referi, que eu lembre essa expressão já era dita pela minha avó materna, mas seguindo o relato, ficamos procurando o outro lençol para colocar sob a coberta que estava ali dobrada aos pés da cama. Foi até engraçado, pois tivemos a criatividade de tirar o lençol de uma cama reserva para nos cobrir.

 

Sempre atenta nas pequenas mudanças dos hábitos das pessoas percebi que os hotéis já começaram a aderir aos novos hábitos dessas gerações que buscam sempre o caminho do mais fácil e o mais rápido.

 

Por que busquei o exemplo de um “lençol” para dissertar minha crônica? O que significa o “lençol” na minha percepção de me considerar uma pessoa tradicional? Seguindo esse raciocínio vou procurar responder mais para mim mesma do que para provar qualquer teoria.

 

Está inserido na minha rotina de vida ter uma cama arrumada com dois lençóis sendo que um serve para cobrir, um hábito simples, gostoso e prazeroso, contribuindo assim, para uma bela noite de sono que faz toda a diferença. Como diz um ditado popular: “Cama bagunçada, vida bagunçada”. Talvez você pense o que tem que ver “cama”, isto é, o “lençol” com a vida? Quem tem tempo para ficar pensando nessas singularidades com uma vida tão corrida?  Pensando assim até eu fico um pouquinho em dúvida...

 

Voltando ao quarto do hotel em que não havia o lençol para nos cobrir e, meu companheiro e eu, procurando desesperadamente uma forma de sanar o problema, pois bem, foi exatamente esse episódio que me fez refletir sobre até que ponto queremos mudar para nos sentirmos incluídos nesse mundo moderno, enxuto e corrido. Não, não mesmo, dormir sem o lençol de cobrir não estava nas nossas opções de renúncia para nos sentirmos mais jovens e modernos.

 

Então percebi que há coisas dentro de nós que são mais caras do que imaginamos, são resultados da soma de tudo que aprendemos e acreditamos e elas fazem parte de nós, nos individualizam e nos caracterizam... E foi assim que percebi o quanto sou “tradicional” em alguns hábitos do meu cotidiano.

Refletir sobre nossos gostos e costumes são práticas importantes para andarmos   na trilha do autoconhecimento e também para corrigirmos os paradigmas que não nos servem mais. São os pequenos detalhes que nos mostram quem somos e o que queremos ser, pois viver é um “ter que ser” sempre, não se encerra.

 

Fiquei contente com a minha reflexão, pois me mostrou que embora eu esteja aberta para mudanças há em mim valores fortes que servem de equilíbrio para não correr o risco de adquirir hábitos que venham contra a mim mesma e com isso me tornar uma pessoa mais fútil ou volúvel, me perdendo no meu próprio EU.

 

Vou continuar com o meu lençol e também com minhas viagens, esta renova minhas ideias e me proporciona ao novo, e aquele (o lençol), não me deixa esquecer de que eu sou.

 

 

 

Georgina Caldeira

Consultora Comportamental, Master Practitioner e Neurolinguistica, Especialista em Didática Geral, Especialista em Agronegócio e Professora aposentada da Rede Pública Estadual 




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Sobre o autor


Georgina Caldeira
Consultora Comportamental, Master Practitioner e Neurolinguistica, Especialista em Didática Geral, Especialista em Agronegócio e Professora aposentada da Rede Pública Estadual