Manifestação silenciosa contra as proibições, desnuda manequins nas vitrines de lojas em São Gabriel do Oeste

| VICTOR CURRALES


Manequins desnudados em vitrine mostraram silenciosamente a insatisfação dos comerciantes em São Gabriel do Oeste - Foto: Victor Currales

Em vigor desde o dia 09 de junho de 2021, em todo os municípios do Mato Grosso do Sul, o Decreto Estadual 15.693, que impôs medidas mais rígidas, pelo governo estadual para tentar reduzir os números de contaminação pela Covid-19 no estado.

Diante da decisão, o município de São Gabriel do Oeste emitiu novo decreto atendendo as especificações listadas no decreto Estadual. E a partir da sexta-feira (18/06), só estão funcionando os serviços considerados essenciais na deliberação do Comitê Gestor do PROSSEGUIR.

Em São Gabriel do Oeste-MS, o Comitê Municipal Para Prevenção e enfrentamento ao Coronavírus, já havia deliberado por questão de prevenção e cuidado medidas como toque de recolher das 19h00 às 05h00, entre outras e encaminhou também justificativa técnica apontando a implementação dessas medidas mais restritivas em âmbito municipal, solicitando a manutenção dos decretos municipais. A justificativa foi negada pelo Estado devido à atual situação epidemiológica da COVID-19 no Estado.

Protesto inovador que chamou a atenção no sábado em São Gabriel do Oeste - Foto: Victor Curales

Neste primeiro final de semana com a adoção do Decreto Estadual em São Gabriel do Oeste, chamou bastante a atenção de quem passou pela Rua Paraná, tradicional rua do comércio local, a manifestação pacífica e silenciosa dos empresários e comerciantes que protestam contra a manutenção do fechamento de várias atividades varejistas, prevista no decreto estadual.

Nas vitrines de várias lojas do centro da cidade, os manequins que sempre estão bem vestidos e ostentam peças de roupas e acessórias como novidades, foram desnudados como forma silenciosa de protesto, já que o setor é, pelo decreto estadual considerado não essencial.

Os empresários alegam que terão grandes prejuízos neste período e que a ampliação do horário de recolhimento obrigatório e restriões de atendimentos não é eficiente para conter o avanço da Covid-19. O sentimento do setor é de revolta, pois percebem que estão à procura de alguém para pagar pelos números crescente do Covid. No setor varejista não há aglomerações, lojas de calçados e roupas, já estão em crise há mais de um ano já que aulas e eventos que impulsionam o consumo também estão parados.

Para alguns deles, as medidas poderiam ser mais flexíveis como exemplo, permitir o atendimento de clientes de acordo com as medidas do estabelecimento, desde que obedecidas todos os protocolos de biossegurança que já foi implantado no comércio, além do distanciamento, a disponibilização de álcool em gel e o uso de máscaras.

“Agências bancárias, frigoríficos, supermercados, todos são essenciais e nós temos aqui um espaço de 500m² de loja, e somos obrigados a fechar o estabelecimento ou atender de forma humilhantes nossos clientes na porta da loja. É claro que nos solidarizamos com as famílias que perderam entes queridos, sabemos da gravidade da doença, e estamos cuidando bem-estar de nossos clientes e funcionários. Estamos fazendo a nossa parte e queremos apenas o direito de poder atender com dignidade os nossos clientes”, explicou Juliane Barth a nossa reportagem.

Vários empresários se reuniram na Acisga-Associação Empresarial de São Gabriel do Oeste, para questionarem o lock-down e a possibilidade de se possibilidade de uma reversão municipal sobre o decreto estadual para que eles pudessem atender com toda a segurança que o momento exige.

Para a Acisga, por intermédio de seu presidente, Everson Rezzieri, deixou claro que a entidade sempre foi contra e tem trabalhado contra o lock-down desde o início da pandemia, inclusive votando e se posicionado publicamente contra o fechamento de qualquer empresa, no Comitê de Enfrentamento ao Covid onde a Acisga tem assento e voto.

Além disso, da mesma forma que se posiciona contra a fechamento de empresas, a Acisga não orienta seus associados à não cumprirem a Lei, já que ela não prega a desobediência civil. Everson, porém, pediu aos associados que cumpram e se adequem dentro do que determina para que assim, continuem atendendo seus clientes.  

O prefeito Jeferson Tomazoni, comentou que o município está classificado com a bandeira cinza pelo Prosseguir- Programa de Saúde e Segurança na Economia, e desde o dia 02 de junho, pela preocupação e cuidado que tem pela saúde da população são-gabrielense, já tinha adotado algumas medidas restritivas, porém o decreto estadual prevalece sobre o municipal resta ao município obedecer às legislações estaduais e federais. Jeferson reforça que pela responsabilidade que o município tem de cuidar da saúde da população, acredita que as medidas vêm para auxiliar já que o setor de Saúde do município está em colapso.

Para ele, a vacinação está avançando e é uma das formas de proteção. Porém cada um deve se cuidar pensando nos seus familiares, pois já se contabiliza a perda de mais de 60 vidas no município.

“Como gestor, entendo que as manifestações pacíficas são legitimas e legais até porque as medidas não vêm com objetivo de prejudicar ninguém e sim preservar a saúde.  Somos solidários as manifestações, mas também as famílias que tiveram vítimas fatais e que estão passando por esse problema”, explicou a nossa reportagem o prefeito Jeferson Tomazoni.       

 



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